domingo, 9 de novembro de 2014

Muros. 1





Volto aos meus textos aqui neste blog, no aniversário da queda do muro de Berlim. Foi há 25 anos. Eu tinha na altura 18 anos. Estava na maior idade. Recordo-me perfeitamente que coincidiu com a primeira edição de uma revista de nome “Grande Reportagem” , onde um dos fundadores foi  José Manuel Barata Feyo. A capa era a da queda do muro de Berlim, e retive uma frase de Willy Brandt, sobre a queda do muro: “"Cresce junto, o que foi criado para estar junto". De facto, retive sempre esta frase, não só por Berlim, mas pelo mundo.
Pensavamos, na altura, que havia caido o ultimo dos muros que nos separava da Democracia Global. Rápidamente entramos numa espiral de revoluções e convulções na Europa, que terminaram na independencia, leia-se de um autoritarismo comunista,  de várias nações, na divisão da URSS, enfim, o mapa do Ocidente parecia querer mudar e a Europa ser a timoneira de uma nova ordem Mundial.
Mas 25 anos depois, vivemos uma Europa diferente, mais desigual, mais separada, mais distante dos principios básicos que fundaram a CEE, na altura. Uma Europa que não é timoneira de nada, apenas refém de si mesma.
Não partilho da ideia socialista, e acima de tudo do puritanismo barato da esquerda radical, que esta Europa é de desigualdades sociais, fundamentada num capitalismo selvagem. Não partilho, porque este é o mundo novo.
De facto o mundo mudou com a queda do muro de Berlim. Com a queda de um imperialismo comunista que dividiu o continente das luzes. O capitalismo é o resultado do desenvolvimento das sociedades. Não se pode querer crescimento, o consumismo do bem estar, os desejos do poder, da riqueza, da independencia economica, sem o capitalismo. Se ele tornou-se mais selvagem ou não, isso é o resultado do maior dos muros que se ergueram, o das consciencias.
Por isso os muros não cairam. Mudaram apenas. Não sejamos hipócritas. Como escrevi antes, a frase de Brandt diz tudo, deve crescer junto o que foi criado para estar junto. Todo o homem deve ter o direito a crescer igual ao seu próximo, mas para isso, todo o homem deve ter o dever de primeiro admitir que o seu proximo é tão igual como ele. O que foi criado junto é o principio da existência. Agora o que deve crescer junto é o principio do dever, do aproveitar a oportunidade de viver para desenvolver-se, lutar e crescer. A existência em si mesma é já um direito, o da vida, o da oportunidade. A seguir vem o dever, o de crescermos, o de trabalharmos para sermos iguais aos demais. Não podemos pensar eternamente que o direito é sempre o fruto de tudo. O direito é a semente, o dever a árvore, a responsabilidade o fruto. E a quebra destes principios é que tem criado os muros do novo mundo, da globalização., o muro da consciencia.
O problema não é a desigualdade social, a pobreza, a miséria, o abandono, a fome. Esse é o resultado apenas. O problema é que não fomos todos criados para estarmos juntos. Uns foram para terem direitos, outros para terem deveres, e outros para não terem responsabilidades.
Os que tem direitos, são os que se julgam as vitimas dos sistemas.
Os que tem deveres são os que sustentam os sistemas.
Os que não tem responsabilidades são os que gerem os sistemas.
E se tivermos uma má semente, vamos ter uma árvore doente e logo dará um fruto podre.
Todos deviamos desfrutar dos mesmos direitos, com o azimute dos mesmos deveres, e assim produzirmos as mesmas responsabilidades. Utópico? Pois, numa Europa onde alguns trabalham para sustentarem sempre a maioria, é dificil exigirmos responsabilidades. É verdade que interesses maiores se ergueram para ajudar quem hoje pede responsabilidades. Mas isso acontece porque os que foram ajudados fizeram os seus trabalhos de casa, leia-se cumpriram com os seus deveres, logo, assumiram as suas responsabilidades perante a ajuda que receberam. E assim cresceram, criaram riqueza. A riqueza deles foi também conseguida através de interesses junto de paises mais pequenos, com menos recursos? Não, esses paises é que são os tais que se acham donos dos direitos, logo serão sempre vitimas de tudo, até de não terem recursos. Todos tem recursos, o problema é que nunca foram bem explorados.
 Pode-se criticar todo e qualquer politico por ser corrupto, mas enquanto pensarmos que ele é algo à parte de nós e não o resultado do que somos, nunca derrubaremos o muro que nos separa do crescimento enquanto cidadãos e enquanto pessoas responsáveis.
Deve crescer junto o que foi feito para estar junto. Nós temos o direito ao livre-arbitrio, à escolha. Nós temos o dever de procurarmos, dentro de nós, a liberdade para lutarmos por essas escolhas, por as alcançarmos. E por fim, temos de assumir as responsabilidades dessas mesmas escolhas. Só assim os muros começaram a deixar de existir. De dentro para fora. E nunca de fora para dentro.
Não esperes que o próximo faça o teu caminho. Controi o teu junto aquele que escolheu subir a montanha, por mais dificl que ela possa parecer.
Este é o primeiro texto sobre os muros… outros virão.

Até breve.

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