Volto aos meus textos aqui neste blog, no aniversário da
queda do muro de Berlim. Foi há 25 anos. Eu tinha na altura 18 anos. Estava na
maior idade. Recordo-me perfeitamente que coincidiu com a primeira edição de
uma revista de nome “Grande Reportagem” , onde um dos fundadores foi José Manuel Barata Feyo. A capa era a da
queda do muro de Berlim, e retive uma frase de Willy Brandt, sobre a queda do
muro: “"Cresce junto, o que
foi criado para estar junto". De facto, retive sempre esta
frase, não só por Berlim, mas pelo mundo.
Pensavamos, na altura, que havia
caido o ultimo dos muros que nos separava da Democracia Global. Rápidamente
entramos numa espiral de revoluções e convulções na Europa, que terminaram na
independencia, leia-se de um autoritarismo comunista, de várias nações, na divisão da URSS, enfim,
o mapa do Ocidente parecia querer mudar e a Europa ser a timoneira de uma nova
ordem Mundial.
Mas 25 anos depois, vivemos uma
Europa diferente, mais desigual, mais separada, mais distante dos principios
básicos que fundaram a CEE, na altura. Uma Europa que não é timoneira de nada,
apenas refém de si mesma.
Não partilho da ideia
socialista, e acima de tudo do puritanismo barato da esquerda radical, que esta
Europa é de desigualdades sociais, fundamentada num capitalismo selvagem. Não
partilho, porque este é o mundo novo.
De facto o mundo mudou com a
queda do muro de Berlim. Com a queda de um imperialismo comunista que dividiu o
continente das luzes. O capitalismo é o resultado do desenvolvimento das
sociedades. Não se pode querer crescimento, o consumismo do bem estar, os
desejos do poder, da riqueza, da independencia economica, sem o capitalismo. Se
ele tornou-se mais selvagem ou não, isso é o resultado do maior dos muros que
se ergueram, o das consciencias.
Por isso os muros não cairam.
Mudaram apenas. Não sejamos hipócritas. Como escrevi antes, a frase de Brandt
diz tudo, deve crescer junto o que foi criado para estar junto. Todo o homem
deve ter o direito a crescer igual ao seu próximo, mas para isso, todo o homem
deve ter o dever de primeiro admitir que o seu proximo é tão igual como ele. O
que foi criado junto é o principio da existência. Agora o que deve crescer
junto é o principio do dever, do aproveitar a oportunidade de viver para
desenvolver-se, lutar e crescer. A existência em si mesma é já um direito, o da
vida, o da oportunidade. A seguir vem o dever, o de crescermos, o de
trabalharmos para sermos iguais aos demais. Não podemos pensar eternamente que
o direito é sempre o fruto de tudo. O direito é a semente, o dever a árvore, a
responsabilidade o fruto. E a quebra destes principios é que tem criado os
muros do novo mundo, da globalização., o muro da consciencia.
O problema não é a desigualdade
social, a pobreza, a miséria, o abandono, a fome. Esse é o resultado apenas. O
problema é que não fomos todos criados para estarmos juntos. Uns foram para
terem direitos, outros para terem deveres, e outros para não terem
responsabilidades.
Os que tem direitos, são os que
se julgam as vitimas dos sistemas.
Os que tem deveres são os que
sustentam os sistemas.
Os que não tem responsabilidades
são os que gerem os sistemas.
E se tivermos uma má semente,
vamos ter uma árvore doente e logo dará um fruto podre.
Todos deviamos desfrutar dos
mesmos direitos, com o azimute dos mesmos deveres, e assim produzirmos as
mesmas responsabilidades. Utópico? Pois, numa Europa onde alguns trabalham para
sustentarem sempre a maioria, é dificil exigirmos responsabilidades. É verdade
que interesses maiores se ergueram para ajudar quem hoje pede
responsabilidades. Mas isso acontece porque os que foram ajudados fizeram os
seus trabalhos de casa, leia-se cumpriram com os seus deveres, logo, assumiram
as suas responsabilidades perante a ajuda que receberam. E assim cresceram,
criaram riqueza. A riqueza deles foi também conseguida através de interesses
junto de paises mais pequenos, com menos recursos? Não, esses paises é que são
os tais que se acham donos dos direitos, logo serão sempre vitimas de tudo, até
de não terem recursos. Todos tem recursos, o problema é que nunca foram bem
explorados.
Pode-se criticar todo e qualquer politico por
ser corrupto, mas enquanto pensarmos que ele é algo à parte de nós e não o
resultado do que somos, nunca derrubaremos o muro que nos separa do crescimento
enquanto cidadãos e enquanto pessoas responsáveis.
Deve crescer junto o que foi
feito para estar junto. Nós temos o direito ao livre-arbitrio, à escolha. Nós
temos o dever de procurarmos, dentro de nós, a liberdade para lutarmos por
essas escolhas, por as alcançarmos. E por fim, temos de assumir as
responsabilidades dessas mesmas escolhas. Só assim os muros começaram a deixar
de existir. De dentro para fora. E nunca de fora para dentro.
Não esperes que o próximo faça o
teu caminho. Controi o teu junto aquele que escolheu subir a montanha, por mais
dificl que ela possa parecer.
Este é o primeiro texto sobre os
muros… outros virão.
Até breve.

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