quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Carta ao senhor Costa

Carta ao senhor Costa.

Sr. Costa,
Hoje dirijo-me a si, nestas parcas palavras, com o intuito de tentar perceber afinal o que se passa nestas suas atitudes.
Poderia tentar percebê-las através de um qualquer ato heroico, qual Dom Sebastião que surge do meio de um nevoeiro matinal. Mas por mais que tentasse desenhá-lo nesse feito, ele acabava sempre por se desmoronar. Porquê? Porque atos verdadeiramente notáveis são de quem, logo à cabeça, sabe o que está, nem que seja minimamente, a fazer.
Eu sei, eu sei, vai dizer-me que sabe o que está a fazer. Acredito, quer o poder, quer ser primeiro-ministro de Portugal, custe o que custar a este país e a este povo. Ai tem razão, sabe o que faz. Mas atos heroicos tem sempre o objectivo de realizarem o bem comum, de defenderem o bem estar geral, e aqui apenas falamos do seu bem estar e dos seus camaradas que se colam a essa sua demanda pelo poder.
Sabe Sr. Costa, sou português. Daqueles que habitam o mundo ilusório, e quase surreal de uma classe media, mas do mundo privado. Não sei se o senhor sabe que mundo é esse. A classe média do mundo privado. Eu esclareço-lhe. É aquele que, neste país à beira mar, está constitucionalmente ligado aos deveres. O dever de pagar impostos, o dever  de nunca fugir a eles, o dever de ter sempre os seus compromissos em dia, o dever de contribuir para uma segurança social falida e insustentável, o dever de lutar todos os dias pelo seu posto de trabalho, responsavelmente, para que não seja um dos escolhidos a fazerem parte dos desempregos deste país; sou daqueles que tem o dever de contribuir para, em suma, pagar este país. Claro que não sou o único, é verdade. Existem os do mundo publico. Todos eles tem o meu máximo respeito, os que de facto trabalham claro. Os outros, independente de tudo, não tem o meu respeito, porque não me respeitam enquanto simples empregados e não trabalhadores (haja honestidade em usar esta palavra e fazer esta distinção). Mas isso, como diz o povo, são outros rosários.
Onde eu quero chegar e falar é do senhor. Que eu saiba, o seu percurso é todo político, sem grandes, ou mesmo nenhum, contorno de trabalho sério e fora dos rounds político-partidários. Pois bem, o senhor sempre viveu dentro da redoma do partidarismo e do mundo dos direitos.
E penso ser essa ideia que detém, neste momento em que teima a todo o custo, ser primeiro-ministro de Portugal. Ok, perdeu as eleições de forma vergonhosa, foi fustigado pelo sufrágio nacional, mas ainda assim, tal Messias que só acredita em si mesmo, acha que deve, por DIREITO moral, ser aquele que pode nos tirar do lodo.
Vejamos um facto. Constitucionalmente pode constituir um governo, com maioria parlamentar? Claro que pode, se juntar o numero maioritário de deputados, independente dos partidos, pode. É legal, logo possível. Mas a pergunta que se impõe? É honesto a forma como o está a fazer? Não, e o senhor sabe-o bem.
O seu partido tem uma espinha dorsal política, económica, social e filosófica. Nela, que eu saiba, não estão inscritos nenhumas orientações marxistas, leninistas ou maoístas. As mesmas que fazem parte da espinha dorsal dos partidos com quem se quer aliar... apenas com um propósito, o de ter o poder. Ah, mas é pelo bem de Portugal? Claro, de um Portugal que não existe, ou melhor, existe apenas para os que, como o senhor, acham que só existem DIREITOS. O direito ao subsidio gratuito e irresponsável, o direito à greve gratuita... sim gratuita, porque eu questiono-o, porque é que após as eleições, e perante a forte hipótese de um governo altamente ligado aos sindicatos, deixou de haver greves nos transportes, convocações de plenários de trabalhadores, etc, etc? Foi porque o mundo virou-se do avesso e as soluções milagrosas surgiram? Não, foi porque o (des)governo dos DIREITOS está para se formar. Porque é que os lesados do BES (e com total respeito por todos aqueles que sofrem imenso com este processo), mas aqueles que tanto barulho fizeram nos últimos dias de campanha, de repente, desapareceram? Sabe me dizer...
Mas voltemos aos DIREITOS. O seu mundo, o do direito a apoios desmesurados e sem contributos, a uma segurança social que nem o senhor sabe como a vai solucionar, a um SNS totalmente gratuito e sem ninguém para o alimentar...no fundo, o seu país, aquele que deseja ser primeiro-ministro, é o do venha a mim o vosso reino, e o Costa é fixe... um velho termo muito usado pelas bandas do Rato.
O senhor está a usurpar a Democracia. Não pela legalidade constitucional, mas pela ideologia. O senhor é um usurpador ideológico. O senhor acorda com uma ideia, a meio da manhã ela já foi substituída por outra, que morre após o almoço, para a seguinte já não ter grande futuro antes do chá das cinco da tarde. Afinal, uma pergunta muito objectiva, senhor Costa, o que pretende para Portugal?
Derrotar a direita?
Acabar com o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas?
Acabar com a Austeridade que o seu partido trouxe para Portugal?
Acabar com o empobrecimento, que os seus possíveis parceiros de coligação, tanto adoram alimentar através de um empobrecimento mental e filosófico? Sim, aconselho-o a ler mais e ver os factos que a história mostra. Exemplo: subsidiar os pobres não é respeitá-los, é sim habituá-los a serem pobres. Mas afinal vocês sempre preferiram em dar a cana, pescar e comer o peixe dos pobres, não é? Pena que eles nunca repararam, senão...
Mas voltemos ao que interessa. o usurpar ideológico. O senhor defende, como aqueles que tanto desejam dominar o país desde 1974, que agora que tem uma maioria de esquerda, o povo mostrou o seu desejo de mudar o panorama político. Pois, sempre achei graça a mais um DIREITO existente neste país. O direito a ser democrata. Só o é aquele que vota no socialismo, no marxismo, na dita esquerda. Quem é de direita, liberal, etc... é facista, neo-liberal, anti-patriótico, e ilegitmo. Pena é que a sua democracia e dos seus possíveis futuros camaradas de coligaçãoo, não seja a mesma que defende o total respeito pela individualidade e pensamento de cada um.
Primeiro, e deixe-me rever alguns conceitos senhor Costa, talvez nem tenha conhecimento deles. Facista é sinónimo de radical. Seja de direita ou de esquerda. Ponto final. Neo-liberal é sinónimo de liberdade, de um Estado mais magro, de mais economia de mercado, de mais liberdades e responsabilidades individuais, de uma equidade entre direitos e deveres... deixe-me ver...não, Portugal nunca chegou ai, então nunca tivemos um governo neo-liberal, nem nada parecido...e depois legitimidade de governar...pois goste-se ou não, o partido que tem maior representação parlamentar é o PSD, logo é ele que deve formar governo. Ponto final. Afinal, pergunto, que mal tem a direita, ou a suposta direita, em Portugal? Porque deseja assim tanto derrubá-la, a todo o custo? Sendo ela até, ideologicamente, muito parecida com a ideologia defendida pelo seu partido? Penso que o PSD está mais próximo do PS do que do próprio CDS...porque este ultimo nem é carne nem é peixe, é Portas, que não dá em nada no fundo... assim como Catarinas e os demais Jerónimos, quais cavaleiros demagógicos de um País, um Estado, um Direito.
Afinal o que quer o senhor para Portugal? É que escuto as suas palavras, as suas oratórias, e nunca ouvi o senhor explicar de facto, o que deseja para Portugal, enquanto país? Só ouço falar na direita, na direita, na direita. Ah, e em Estado, em Estado, em Estado... mas o país é muito mais do a direita e o Estado. O país são as pessoas que contam o seu dinheiro todos os dias, são as pessoas que acordam muito cedo e muito tarde se deitam, são as pessoas que procuram vidas melhores, pessoas que pensam, sonham, tentam ser inovadoras, procuram o saber, trabalham, são honestas...que merecem todo o respeito da parte daqueles que pensam que a vida afinal é um rol de DIREITOS.
Pois termino dizendo-lhe um direito e um dever.
DIREITO: pensar.
DEVER: a ser sério, honesto e ideologicamente verdadeiro.
Por isso, senhor Costa, defina-se, que a paciência não deve deveres ao direito da usurpação.

P.S... já agora leve meia dúzia de notas para a leitura do seu serão...

Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.

A história repete-se, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.


As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que os nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?
Josef Estaline


E agora...

Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.
J. B. Shaw

O maior mal do mundo não é a pobreza dos desafortunados, mas a inconsciência dos privilegiados.
Padre Lebret

 O país onde o comércio é mais livre será sempre o mais rico e próspero, guardadas as proporções.
Voltaire






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