terça-feira, 10 de novembro de 2015

Carta Aberta ao Presidente. Por um Novo Governo.

Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa,

Dirijo-me a sua Excelência. Como cidadão português que sou e com o total respeito pela instituição que representa.
Escrevo esta carta para lhe fazer uma solicitação, um pedido sentido. Nem sempre tive de acordo consigo, e nos 9 anos estive mais vezes em desacordo.
Nasci poucos anos antes do 25 de Abril. Não o vivi, não sei o que foi viver antes da queda da Ditadura, mas sei duas coisas fundamentais:
-       senti estes anos muito da factura sociocultural que esse mesmo regime nos deixou;
-       e sempre procurei desenvolver uma consciência autónoma, livre e individual, sem preconceitos ideológicos ou preceitos revolucionários.
Defendo uma visão democrática. E por esse ponto de vista, venho solicitar-lhe que dê posse ao novo Governo que resulta dos acordos celebrados entre PS, BE e CDU.
Pode-me perguntar porque este pedido. Eis as razões então:
1.     Porque é hora de terminar de uma vez por todas com a apologia demagógica neste país. É altura de erradicar, de uma vez por todas, esta maneira de pensar retrógrada e absolutista, de que os democratas são os  que votam na Esquerda. A tal facção que defende os reais interesses do País, dos trabalhadores, contra o Grande Capital, contra os interesses instalados, etc., etc...eu sei senhor Presidente, é uma cassete inconfundível e quase que me sangra os ouvidos. Logo, só colocando estas ideias no risco da responsabilização é que se poderá verificar a sua veracidade, e as tais soluções sebastianistas que tanto apregoam. Eu sei, eu também desejava, como o senhor, que todos estes partidos fizessem parte integrante do governo. Pois, mas nisso tenho de retirar o chapéu ao BE e CDU, porque eles ai são conscientes, de que, sendo governo, seriam forçados a abandonar toda uma estratégia que os mantém vivos, que lhes permite ainda enganar as pessoas com um falso altruísmo de benfeitores. Mas, do mal o menos. Teremos agora a oportunidade de verificar a tal verdade absoluta que tanto defendem. Sim, absoluta, porque falamos de partidos absolutistas e revolucionários. Seria bom as pessoas terem a noção que estes partidos de esquerda radical, não defendem esta democracia moderada e socialmente equilibrada, mas sim uma democracia revolucionaria, porque as suas ideologias politicas necessitam de uma constante revolução, ou seja, de uma permanente situação de conflito. Logo Abril nunca seria tantas vezes necessário ser invocado. Lembro que a nossa verdadeira liberdade começou a 25 de novembro, com a libertação de um espectro de absolutismo comunista que imperava no pós 25 de Abril. O mesmo defendido pelo tal Comité Central do PCP, que ainda persiste até aos dias de hoje, e que é o único, ainda, partido comunista Europeu Pró-Soviético ( não digo russo, digo Soviético e tudo o que nele se insere). Quanto ao BE, uma junção de variantes revolucionárias, desde a UDP de Mário Tomé ( para quem não se recorda) até ao PSR...acho que não há necessidade de dizer algo mais. Sobre o PS? Pois, eu sempre achei que Soares criou uma linha divisória dentro do partido, entre o centro esquerda e a esquerda radical, precisamente porque o espectro político do PS é enorme e assim permitia evitar uma viragem a essa esquerda radical que, como referi atrás defende mais o revolucionário do que o equilíbrio. Logo, todos os governos do PS sempre se pautaram pelo centro-esquerda. Mas este Costa que nos deu à costa, repleto de famintos insectos do poder, achou que essa linha devia deixar de existir e sim criar uma outra, mas agora que separa aquele PS que se junta mais ao centro. Logo o Regime mudou de facto. Pena tenho dos eleitores do PS equilibrado e responsável, que é fundamental a sua existência no equilíbrio das funções da democracia.
2.     Cito John Steinbeck “ É curioso como uma desgraça nos parece longínqua quando não nos atinge pessoalmente”. Isto para me dirigir aos portugueses que resolveram por dois tipos de consciência. A da abstenção, procurando não querer ter nada a ver com o que se passa no país ( e não incluo aqueles que infelizmente foram impedidos de exercer o seu voto) e os que procuram no voto o seu protesto. A falta de consciência política e social neste país ainda é, infelizmente, gritante. Por isso a demagogia vence sempre a verdade. Por isso o gratuito mediatismo e o respectivo resultado catastrófico dele resultante. Logo este resultado da queda do Governo é também da irresponsabilidade daqueles que acham que o verdadeiro protesto é ir de punho em riste e gritar liberdade, sem saber primeiro que existe a responsabilidade por se ser livre. É mais fácil ver no olho do outro, a mosca que incomoda o nosso.
3.     Gostava de que desse posse a este Governo de esquerda para saber afinal como é que alguém consegue com 100 euros de receita, aumentar a mesada do filho para 150 euros? Como é que alguém consegue transformar um empregador que praticamente nada produz, como o Estado, na maior máquina produtora da economia, com crescimentos acima dos 5% ao ano? ( E estou a ser generoso). Como é que alguém consegue, sem receitas e através da gratuitidade, fornecer cuidados de saúde e educação a toda a população? Como é que alguém consegue, com uma segurança social na miséria, garantir aumento das pensões e garantir pensões a todas as gerações vindouras? Como é que alguém vai continuar a suportar uma rede de transportes obsoleta e manipulada pelos sindicatos, a terem lucros de forma a tornarem-se sustentáveis? Como é que alguém vai conseguir manter ligado ao Estado tantos e mais trabalhadores? Se conseguirem, então encontraram o filão de ouro, e eu serei o primeiro a dizer em publico “Obrigado”. Mas sei que não o vou dizer, por duas vias, primeiro porque é impossível ( já nem as utopias o sustentam) e porque a Europa não deixa, pois como dizia Thatcher, O socialismo só sobrevive enquanto existir o dinheiro dos outros. E tenhamos consciência, nós vivemos com o dinheiro dos outros. Porque o nosso foi todo gasto. Duvidas?... e nem falo dos impostos e dos subsídios...
4.     Mas gostava também de que este Governo fosse empossado, que esta maioria de esquerda mostrasse as suas verdadeiras sementes. “Contra o Grande Capital, contra os Patrões, contra os Bancos, etc, etc...” E eu pergunto, afinal se são contra grande Capital, vão expulsar a Auto-Europa por exemplo, ou seja, vão dizer à VW para se ir embora? E a outras como tal? Espera, e o que irão dizer aos milhares de trabalhadores que tem o seu emprego seguro nessas empresas? Mas se elas pertencem ao grande Capital, ao Inferno Alemão como a VW, gostava mesmo de perceber então o que desejam fazer com esta empresa? Depois, contra os patrões... em toda a história, sempre houve patrões e empregados, por exemplo, o Governo de maioria de esquerda irá ser o patrão dos empregados do Estado...aliás, o maior patrão neste país...se são contra os Grandes Patrões, o que vão agora dizer quando forem eles próprios os patrões? E contra os bancos...bem aqui então é que gostava mesmo de perceber...senão veja comigo, senhor Presidente, eu não sou a favor do que os bancos fazem, defendo uma maior regulação independente e privada ( pois a regulação estatal permite todo o negocio de corrupção e destruidor do sistema bancário...volto a uma máxima libertária que defendo, maior liberdade, maior responsabilidade). Mas eu não tenho outra maneira de ter um deposito de dinheiro? Onde é que esses mesmos senhores que defendem a nacionalização da banca e são contra todo o sistema financeiro, colocam o seu dinheiro, as suas poupanças? Nas mãos do Comité Central, qual religião absolutista, ou debaixo dos colchões?... e se exterminarmos os bancos, o que fazemos, vamos regressar à velha forma de eu levo um saco de batatas para trazer um quilo de arroz?
5.     Como a esquerda sempre defendeu, neste país só é legitimo quem é de esquerda. Só se é democrata quem é de esquerda. Só se é escritor quem é de esquerda. Só se é ator quem é de esquerda. Só se é cantor quem é de esquerda. Só se é jornalista digno de nome, quem é de esquerda. Só se é honesto, quem é de esquerda. Só se gosta dos animais quem é de esquerda. Só se defende as mulheres quem é de esquerda. Só quem é de esquerda é que não é preconceituoso. Só os de esquerda é que defendem a abolição de vários tabus e preconceitos. Só se é patriótico quem é de esquerda. Logo, tendo uma maioria, legitima como o defendem, se calhar vamos agora ter tudo legitimo e repleto de inteligência. Mas só os que são de esquerda, porque os outros não existem. E mais ainda questiono, onde estão aqueles que o criticaram a si, senhor Presidente, pelas palavras que proferiu sobre os partidos mais radicais como a CDU e o BE, referindo que o senhor Presidente ignorou todos os portugueses que votaram nesses partidos? Eu acho que o senhor não o devia ter dito. Eu partilho do que disse quanto ao radicalismo, mas eu não sou Presidente de Portugal. No entanto, perguntava por eles, porque não vi nenhum vir a publico, dizer algo sobre a frase proferida pelo Carlos César quando disse que a Direita se dá mal com a Democracia. Então e os mais de 2 milhões de portugueses que votaram nessa direita, dão-se mal com a democracia? Foram ignorados? Claro que são ignorados. Afinal quem é de direita, não pertence a este país, e esses sim, deviam emigrar. Porque só se deve ficar quem é de esquerda. O pluralismo libertário não existe neste país, senão todas as forças seriam mais respeitadas e devidamente audíveis.
6.     Por fim, e não querendo alongar-me muito mais, gostava de citar o Marquês de Maricá, “Não desesperais na desgraça, ela é frequentemente uma transição necessária para a boa fortuna”. Espero que depois da tempestade, venha a bonança.

Termino apenas dirigindo duas palavras, uma ao Costa que é o mais dos abomináveis políticos que conheci em Portugal, sem escrúpulos e sem carácter:
“Invejo a burrice, porque é eterna.” Nelson Rodrigues
Outra é para si, senhor Presidente,
“Nunca discutas com um estúpido, pois ele vai-te obrigar a descer ao seu nível e ai ganhar-te-á. “ Mark Twain


Assina, um cidadão não reconhecido democraticamente e apartidário.

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