quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Terror sem valor

E morreram mais de 120 inocentes em Paris, somados a mais e mais inocentes em Beirute, Quênia, Tunísia, num avião russo e outros tantos locais. Inocentes que padeceram às mãos de um fundamentalismo intolerante, vazio na história que defende, absolutista na estratégia que implanta, irresponsável nas ideias que transparece. Assim é o Estado Islâmico. É assim que vai continuar a ser.
Não vale a pena andar com meios termos, com desculpas nas razões que levaram à sua implantação, com puridos excessivos em desculpá-los. Como também não basta andar com lágrimas, bandeiras ao vento, manifestações aos milhares, movimentos altruístas nas redes sociais, abaixos assinados ou mesmo discursos puritanos. Eles não têm piedade. Eles não toleram a tolerância, a pluralidade, a liberdade. Eles são defensores de uma só cultura, mas sem cultura. Eles não ficam enternecidos com ajudas a refugiados ou com apelos à paz. Eles não têm o preceito do respeito ou do implorar. Eles negam a história, negam as origens humanistas, filosóficas e sociais do Ocidente. Eles negam as igualdades de género, de opções, de gostos. Eles são absolutista, são megalómanos no absolutismo déspota. Tudo o resto são palavras que o vento leva.
E só existe uma forma de os combater. Ser radical. Eu sou radical. Sim, assumo com toda a franqueza que sou radical, fundamentalista.
Sou-o na defesa dos meus valores: Liberdade, Pluralidade, Democracia, Tolerância, Igualdade ( nos direitos, deveres e oportunidades apenas), Responsabilidade.
Sou defensor de mais liberdade, mais responsabilidade.
E não abdico destes. 
Porquê?
Porque defendo uma sociedade equilibrada, responsável individualmente, com base no individuo para a sociedade e com a reunião das civilizações.
E aceito a existência da diferença. Aliás a igualdade, como atrás referi, só existe nos direitos, nos deveres e nas oportunidades. Tudo o resto são diferenças. E ainda bem. Pois a ideia de transformar uma diferença numa igualdade é que cria o preconceito, a xenofobia e o radicalismo despropositado. Assim, nesta matéria, não existe meio termo. Ou se defende e pratica, radicalmente os valores instituídos na cultura ocidental, ou não. 
Estes dias fui lendo muitos textos, crónicas, noticias sobre estes ataques tão horrendos e que continuam a matar tantos inocentes. Foram muitas as teorias de destruição maciça dos radicais, teorias da conspiração sobre o fundamento destes ataques e teorias do medo, teorias de ódios e sentimentos mistos quanto ao povo mulçumano. Falou-se dos refugiados que fogem do mesmo, dos povos que sofrem com o EI, de pontos de vista aos ataques ao EI. Mas todos estes textos são palavras ao vento quando confrontados com a realidade. Eles não querem saber de quem foge, de quem ainda mantém a coragem de enfrentar esse pensamento fundamentalista, ou de quem se manifesta nas ruas, das velas ou dos sinos em batida. 
Vivemos numa Europa recheada de povos. Então como é que nos nossos países não existem essas diferenças? Elas existem sim. Mas existem dentro de dois dos valores mais belos do mundo contemporâneo. A Pluralidade e a Liberdade. Mas não da igualdade que tanto tem sido pronunciada pelos cantos desta Europa tão permissiva e tão fragilizada pelos fantasmas. 
 A teoria de que todos somos iguais, aos olhos de alguém. Pois não somos. Somos diferentes. E ainda bem. As teorias da igualdade, no género, na raça, na cultura, na sexualidade, etc, não existem. Somos todos diferentes, ponto final. 
E é essa a visão do EI. Eles sabem que somos diferentes deles. Por isso nos querem eliminar. Tudo o resto são palavras levadas pelo vento. 
Assim, só podemos combatê-los com a firmeza fundamental dos nossos valores. Não podemos ceder aos seus princípios, nem devemos alterar os nossos hábitos em função de outras culturas. A pluralidade leva a uma ordem para todos os que nela habitam. Mas com o total respeito pela individualidade. Mas no colectivo essa ordem tem de permanecer intacta. O colectivo não pode ser corrompido pela satisfação de uma suposta minoria. Se assim acontecer, alimentamos duas coisas: minorias e respectivas consequências, e portas de entrada à intolerância. E é aqui que entra o EI nas nossas sociedades. Se aceitamos e defendemos a paridade, não podemos pactuar com Burkas ou outras formas de vestuário, só para não ofender uma certa cultura. E a ofensa feita à tolerância, à liberdade, ao direito à diferença? 

De lado estás? Chegou a hora da definição. Tudo o resto, são palavras levadas pelo vento. 

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