Texto de Luiz Felipe Pondé, in Guia do Politicamente Incorrecto em Filosofia.
(brasileiro)
“ Aqui encerro o relato do meu pecado. A praga PC (politicamente correcto) deve ser combatida não porque seja bonito dizer piadas racistas (não é), mas porque ela é um instrumento de (maus) profissionais da cultura, normalmente gente mau-caracter, fraca intelectualmente, pobre e oportunista, para aniquilar o livre “comércio de ideias” ao seu redor, controlando as instâncias de razão pública, como universidades, escolas, jornais, revistas, rádio, TV e tribunais. Nascida da esquerda americana, ela é pior do que a esquerda clássica, porque essa pelo menos não era covarde. A praga PC usa métodos de coerção institucional e de assédio moral, visando calar todo o mundo que discorda dela, antes de tudo, tentando fazer dessas pessoas monstros e, por fim, tentando inviabilizar o comércio livre de ideias. Ideias não são sempre coisas “boas”. Às vezes doem.
Ao final, a praga PC, é apenas mais uma forma enraivecida de recusar a idade adulta e de aniquilar a inteligência. O que ela mais teme é a coragem. Por isso, diz o povo é lindo quando não é, diz que as mulheres estão bem sozinhas, quando não estão (estavam mal acompanhadas e agora estão pior sozinhas, porque a humanidade é basicamente infeliz e incoerente com relação aos desejos e às expectativas), diz que a natureza é uma mãe quando ela é mais Medeia, nos proíbe de reclamar de gente brega ao nosso redor, mente sobre aqueles que lutaram contra a ditadura (eles não eram muito melhores do que os torturadores se tivessem a chance de torturar alguém), nega a importância da culpa de reconhecer valor em nada porque nega a própria capacidade humana de fazer discernimento.
A praga PC é apenas mais uma face da velha ignorância humana.
Deixo você, leitor, com uma pérola de Nelson Rodrigues, o primeiro no Brasil a criticar a praga PC mesmo antes de ela ter esse nome. Nessa citação, vemos uma hipótese poderosa para a origem do politicamente correcto: o aviltamento da cultura, da arte, do intelecto, enfim, do pensamento, em nome da política. Infelizmente, a cultura tornou-se “mera” politica e com isso corre o risco de se fazer medíocre em sua obsessão, por reduzir a alma a um nada de vida.
«Eis o que eu queria dizer: o aviltamento começou quando o intelectual se politizou. Já não bastava ser “poeta”, “romancista”, “ensaísta”, “dramaturgo”, “pintor”. Uma vez que a política é a linguagem do nosso tempo, o artista tem de sair de sua solidão criadora. Nunca se pediu um soneto a Bismarck, ou um romance a Roosevelt, ou um drama a Churchill.»”
A ler por quem não deseja pertencer a "rebanhos" e intelectualismos vazios e sem escrúpulos.

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