Mal vai o povo que se fecha no seu casulo de ignorância.
Mal vai o povo que se abstém da sua responsabilidade individual.
Mal vai o povo que nega a sua culpa, o seu problema.
Mal vai o povo que procura noutros as razões das suas próprias mágoas.
Mal vai o povo que não pensa, por si próprio.
Mal vai o povo que precisa da voz do outro para se fazer ouvir.
Mal vai o povo que não escuta a sua própria voz.
Mal vai o povo que pensa que rótulos, títulos académicos são suficientes para ser gente, rico a afortunado.
Mal vai o povo que se contenta com a escrita, as contas de somar e multiplicar, mas nem somar o conhecimento ao crescimento, e multiplicar a vontade à responsabilidade, ele sabe.
Mal vai o povo que caminha como rebanho, e não pensa como individuo.
Mal vai o povo quando se esquece da cultura, dos livros, do conhecimento, troca tudo isto pelo vazio do pensamento, pela futilidade das vidas alheias, pelos sonhos de Cinderela, pelas utopias irresponsáveis. Mas quando descobre que afinal existia cultura, quando ela é enterrada nas traseiras do seu país, mal vai o povo que aí grita, desesperado pela sua identidade, mas não pelo conhecimento dela, mas pela hipocrisia de apenas querer parecer.
Mal vai o povo que não lê, senão apenas as legendas da casa dos segredos, dos big brothers ou de outras assumidas linguagens ocas.
Mal vai o povo que apenas vê na luta os direitos, mas se esquece que o dever de lutar é em primeiro o direito de respeitar.
Mal vai o povo que não se identifica com a sua língua.
Mal vai o povo que não se identifica com a sua história, toda ela, procurando apenas as lições que dela deve retirar, e não criando os fantasmas que continua a cultivar.
Mal vai o povo desonesto com a teoria de que a igualdade é de género, de pensamentos e de responsabilidades… e não de oportunidades, de direitos e deveres.
Mal vai o povo que deita fora a oportunidade e aproveita o desperdício continuo.
Mal vai o povo que se insegura perante a mudança, mas se afoita perante prossecução.
Mal vai um povo que afinal nem sabe quem é e como se chama.
Mal vai este povo, que não se governa, nem se deixa governar.

Boas Carlos! Gostei de te ler, como sempre! Parabéns
ResponderEliminarBeijinhos
Graça